Mata Atlântica ....
   
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A Mata Atlântica abrangia, em território brasileiro, uma área contínua de pouco mais de um milhão de quilômetros quadrados. Esta floresta, se desenvolvia por toda a costa Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil, com uma faixa de largura variável chegando, no interior, a atravessar as atuais fronteiras da Argentina e do Paraguai.

Dependendo principalmente da umidade que constantemente chega a essa região, trazida pelo Oceano Atlântico, sua característica atípica é o desenvolvimento na direção Norte-Sul. Esta ampla distribuição geográfica, sobre solos diferenciados, aliada a uma série de formações montanhosas litorâneas, que chegam muito próximo dos três mil metros de altitude, cria condições ambientais de diferentes temperaturas, insolação, nichos específicos e adaptações decorrentes de distintas eras geológicas que fazem dela uma das florestas de maior diversidade biológica de todo o planeta.

Devido à pressão urbana sobre esta mata, hoje dela restou, em território brasileiro, apenas cerca de 4% de sua área original com formações primitivas. E esses remanescentes se situam principalmente ao longo das serranias costeiras devido à dificuldade que o acentuado declive oferece ao uso da terra e ao corte das madeiras.
Existem também outros 4% de formações secundárias de mata que são de grande importância para a proteção de sua biodiversidade. Esses escassos remanescentes de sua área original estão na sua maior parte fragmentados e em pequenas ilhas, exceto ao longo das serras do Sudeste e do Sul onde ainda persistem importantes corredores ecológicos.

Por tudo isto a Mata Atlântica é hoje considerada como uma das principais florestas tropicais mais ameaçadas de extinção e um dos "hot-spots" de concentração da biodiversidade mundial, prioritário para sua conservação. Apesar de grandes ameaças ela ainda apresenta áreas de enorme importância biológica que merecem ser protegidas e em muitos casos ampliadas.

A Reserva está localizada no Município de Juquitiba que é considerado de grande importância para a conservação dos recursos naturais no Estado de São Paulo. Na área do município está localizado parte do Núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar e da APA da Serra do Mar. Está inserido na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e na Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo e faz parte da área tombada pela UNESCO como patrimônio da humanidade.

Protegida naturalmente pelo seu relevo de difícil acesso, a Serra do Mar abriga a porção mais preservada da Mata Atlântica do Estado e da região Centro-Sul brasileira, sendo responsável pela grande diversidade de espécies vegetais e animais ali encontrados, notadamente as que são peculiares somente a essa região e aquelas ameaçadas de extinção, como a onça-pintada e o mono-carvoeiro.

A Mata Atlântica encontra-se entre os cinco "hot spots" (áreas de alta biodiversidade, elevados índices de endemismo e grande pressão antrópica) para a conservação da biodiversidade do mundo, de acordo com a Conservation International. O complexo vegetacional denominado Mata Atlântica pode ser dividido em duas categorias principais, a Floresta Pluvial Montana e a Floresta Pluvial de Baixada.

A primeira ocorre nas áreas mais elevadas da Serra do Mar e da Mantiqueira, aproximadamente entre as altitudes de 800 a 1500 m. É caracterizada pelas árvores de dossel atingindo 20 a 30 m de altura, as emergentes até 40 m. Abaixo das árvores, no sub-bosque, são frequentes as palmeiras, bambus e samambaias arborescentes. O andar herbáceo é composto de vegetação típicamente macrófila , exemplificada pelas diversas heliconias, canas, gengibres, bromélias terrestres, orquídeas e delicadas samambaias. Uma importante peculiaridade desta formação são as numerosas e abundantes epífitas, as quais cobrem quase completamente os galhos da maioria das árvores, constituindo uma complexa flora de muitas famílias, incluindo: Orquidaceae, Bromeliaceae, Gesneriaceae, Cactaceae e Piperaceae.

A Mata Pluvial de Baixada está situada entre 300 e 800 m de altitude, aproximadamente. As árvores são característicamente mais baixas, usualmente não ultrapassando os 15 m de altura e as epífitas são muito menos frequentes. Entre os morros ocorrem profundos e úmidos grotões, nos quais a água é retida de forma permanente, fazendo com que as florestas nestes pontos assumam características de Mata Pluvial Montana, com árvores muito altas e intenso epifitismo.

A Floresta Pluvial Atlântica difere da Floresta Amazônica em muitos aspectos, especialmente em relação à maior disponibilidade de luz em seus estratos mais inferiores. Isto se dá devido à distribuição escalonada das árvores sobre vertentes frequentemente muitoinclinadas, gerando um dossel descontínuo, o qual permite a entrada de muito mais luz . A maior disponibilidade de luz torna possível a existencia de diversas espécies vegetais em diferentes níveis da floresta, fortemete incrementando sua biodiversidade e a tornando o ecossistema mais complexo do planeta.

   
 

Espécies endêmicas da Mata Atlântica

  • 55% das espécies arbóreas
  • 40% para espécies não arbóreas
  • 70% de espécies de bromélias e orquídeas
  • 39% dos mamíferos que vivem na floresta .
  • mais de 15% dos primatas existentes no Brasil habitam a floresta e a grande maioria dessas espécies são endêmicas.

    (fonte: SOS Mata Atlantica)

 

• Referências Bibliográficas:

RIZZINI, C. T. 1976. Tratado de fitogeografia do Brasil, aspectos sociológicos e florísticos. São Paulo: Ed. Univ. São Paulo. 332p.

Costa, J. P. O. - Avaliação da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica - Caderno 06 - RBMA (1999).

   
 
 

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